sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Angela Merkel e princípios humanísticos.


Abundam, no seu país e em toda a Europa, críticos de Angel Merkel. Certo é que muito é muito, e que devemos colocar, agora, limites ao humanismo. Mas vamos ser honestos: só se pode admirar a coragem que ela teve, assim como o povo alemão, no início da chegada de dezenas de milhares de sírios e outros refugiados. Angela Merkel e os alemães fizeram prova de sangue frio e de uma notável organização, indo ao ponto de transmitir cursos de alemão por telemóvel, para aqueles que caminhavam durante dias para chegar à terra prometida ... Esses refugiados, também se podem admirar, nós que os vemos do nosso sofá,  esperar horas ou dias na lama ... Um pouco de humildade da nossa parte não faz mal. Ouvir os seus testemunhos leva-nos de volta ao essencial: a liberdade, o respeito pelos outros, a solidariedade.

Angela Merkel, filha de um pastor luterano, deu-nos uma lição de moral, uma coisa que não gostamos, mesmo que a maioria dos empresários alemães estejam satisfeitos com esta mão-de-obra. Podemos dizer que os alemães têm "experiência" na integração de povos em busca de uma vida melhor. No final da Segunda Guerra Mundial, tiveram que acomodar 15 milhões de refugiados do leste da Alemanha (Prússia Oriental, Pomerania, Silesia, e Checoslováquia). 

Isto foi feito em silêncio, já que profundamente culpabilizados  pelos horrores cometidos. Cada família foi obrigada a acomodar muita daquela gente, que posteriormente emigrou para os Estados Unidos e outros lugares. 

A "revolução das velas", iniciada principalmente por igrejas luteranas da ex-RDA, ajudou à queda do Muro de Berlim, em 1989. O chanceler Helmut Kohl, em seguida, fez todos os esforços para a reunificação do povo alemão. Reunificação e integração bem sucedida, não obstante ainda existirem no leste algumas bolsas de pobreza. 

Os alemães têm, também, experiência adquirida com seus trabalhadores turcos que falam alemão e turco e não têm a mesma cultura religiosa. No seu conjunto, uma maioria, em grande parte em regime de voluntariado, está empenhada em que a integração destes emigrantes seja uma realidade, respeitando esta nova identidade desconhecida, organizando por todo lado, cursos de alemão para que o diálogo e a integração sejam rapidamente possíveis. No longo prazo, terão por certo ter sucesso, não tendo provavelmente a relutância em lhes dar direitos políticos, como têm feito com os do Leste e turcos. 

No caos  actual da guerra (Síria, Líbia, Iraque e Afeganistão) e suas conseqüências: destruição e pobreza, é certo que teremos mais refugiados muçulmanos na Europa. Temos muito a fazer para nos preparamos por todo lado na Europa ( a Alemanha vai à frente): construindo pontes entre as duas culturas, aprendendo mais sobre os muçulmanos e aprofundando os nossos próprios valores humanistas, cristãos e laicos. Diria que é pôr em causa as nossas crenças (se tivermos ...), uma releitura do nosso passado, do que somos hoje, e a visão do que queremos ser. O escritor e filósofo muçulmano Abdennour Bidar (ameaçado de morte), diz que a pior das ameaças é o vazio espiritual. 

Estas linhas foram escritas depois dos atentados de Paris e do Mali, para que não nos esqueçamos de todos aqueles seres humanos que fogem do caos à procura de segurança e de viver em paz.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

"O Pacto das Catacumbas" - A minha Igreja


"Há 50 anos, no dia 16 de Novembro de 1965, quatro dezenas de bispos e cardeais dos diversos continentes, todos eles participantes no Concílio Vaticano II que estava então a concluir-se, reuniram-se em Roma para firmar um pacto. Pretendiam uma celebração discreta, longe dos holofotes, inclusive para salvaguardar de interpretações ambíguas o seu gesto. Mas o lugar escolhido tinha uma inegável natureza simbólica e programática: As catacumbas romanas de Domitila com toda a evocação de um cristianismo essencial e comprometido. Através daquele pacto, os bispos comprometiam-se a caminhar lado a lado com os pobres, reassumindo uma radicalidade evangélica que faz parte da trajectória da memória cristã (pense-se no primeiro franciscanismo, por exemplo), mesmo se muitas vezes esquecida. Também por isso se assumiam, agora não só, como uma igreja atenta aos pobres mas como uma igreja dos pobres, investindo numa conversão crítica do paradigma dominante.

A força profética e política dos 12 pontos desse pacto, depositando pelos signatários nas mãos do Papa Paulo VI, e a exemplar fidelidade dos seus protagonistas fazem do pacto das catacumbas um dos documentos fundamentais para entender algumas das horas mais luminosas do catolicismo contemporâneo. A oportunidade do seu cinquentenário, coincidente com o pontificado do Papa Francisco, tem provocado um enorme interesse e debate, com a tradução do texto original em várias línguas. Em Portugal acaba de surgir num volume editado pela Paulinas Editora.

Que se propunham os bispos? A revolução da simplicidade. Deixar os palácios episcopais e viver em casas iguais às das suas populações. Renunciar aos sinais exteriores de riqueza e à riqueza em si. Não possuir imóveis nem contas bancárias em seu nome. Confiar a gestão financeira e material das dioceses a comissões de leigos competentes e cônscios do seu papel apostólico; recusar-se a ser chamado, oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder, preferindo ser chamado com o nome evangélico de padre; evitar aquilo que pode parecer privilégio ou uma preferência pelos ricos e poderosos; oferecer todo o tempo, reflexão, coração e meios ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos economicamente mais débeis; transformar as obras de beneficência em obras sociais baseadas na caridade e na justiça; lutar para que os responsáveis pela governação decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento: requerer dos organismos internacionais a adopção de estruturas económicas e culturais que permitam às massas pobres saírem da sua miséria; tudo fazer para que o ministério episcopal constitua um verdadeiro serviço.

O pacto das catacumbas recorda que o Deus em que os cristãos creem não plana acima das questões escaldantes da história: Ele aparece claramente comprometido com a justiça e uma ordem social de equidade, manifestando-se a favor dos mais pobres, A opção pelos pobres, a escolha preferencial pelos sem voz nem vez remonta ao próprio Cristo e ressoa claramente nos textos das origens cristãs. Como resume a Primeira Carta de São João (1º Jo 4,20): "Se alguém disser ´eu amo a Deus', mas não amar o seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê." A fé para ser vital tem de aceitar o risco de ser uma fé encarnada. Aqueles cristãos que dizem "não queremos sujar as mãos na realidade do mundo", avisava já Charles Péguy, "acabam rapidamente por ficar sem mãos".

Padre José Tolentino Mendonça

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Estamos a cair numa armadilha

Mais uma vez, os tolos de Alá, terroristas e outros kamikases a quem é proposto o céu, ganharam! O horror em Paris que conseguiram criar, está a fazer os títulos de todos os meios de comunicação social e as imagens passam e repassam com um aviso de que as cenas podem, eventualmente, chocar as pessoas mais sensíveis. 

Clamamos por solidariedade, justificamos o sentimento crescente de medo das populações e excitamos indiretamente os círculos extremistas na Europa,. Tudo o que os terroristas procuram. Eles precisam de propaganda e caixa de ressonância para o seu delírio “purificador” e de massacre.

Uma das grandes forças dos terroristas, é precisamente explorar tudo o que é, em certo sentido, a grandeza dos países europeus: a liberdade de imprensa, liberdade de opinião, o respeito pela pessoa, a sua tolerância face a diferentes opiniões, a  livre circulação, a sua humanidade. 

Mas, como sempre, estes valores têm reversos porque as autoridades e os responsáveis que as aplicam, bem como as pessoas que as respeitam, são falíveis. A táctica terrorista é, evidentemente, de criar reflexos de Estados policiais, guerra religiosa, e pânico popular. Se possível paralisar a vida cotidiana, pôr em risco os recursos económicos como o turismo, causando uma onda de desconfiança, e de delação no seio da população.

E, provavelmente sem saber, os media suportam e promovem esta táctica, dando o máximo de audiência aos delitos dos assassinos. Os media não se podem calar, é evidente. Mas talvez devessem desistir de vender melhor por causa do efeito sobre a publicidade terrorista e de competir nos títulos e contos de horrores. Estadistas e políticos também devem exercer contenção. Há uma reflexão vital a fazer muito rapidamente. Esta é uma medida de segurança.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

"The Clown in Show at VW"


Do Volkswagen execs hate polar bears? If not, just what were they allegedly thinking?

" So you ask yourself: What in the world were those guys at Volkswagen allegedly thinking? I'm using the word "allegedly" here not about what they allegedly did but about their thinking, which was most certainly alleged. The menschen structured and ambitious effort to jigger the hardware and software of millions of vehicles over a period of seven model years in order to be able to claim they were greener and more efficient than they were. Plotting? Sure. Executing their nefarious scheme with precision and technological excellence? Jawohl. But thinking as you or I would use the word? Nein. This goes way beyond that.

Why does this kind of thing happen? When you see dishonesty and deceit pursued as a business strategy, you cant't simply say that the people involved are just a bunch of crooks. That's too simple. So let's look at the possibilities:

They're a bunch of clowns: Well, possibly. But if so, they're very serious clowns. And there are a lot of them pouring out of that VW Beetle.

They're didn't know about it: I'm going to dismiss this one right now. Corporate citizens don't implement a massive plan to break significant laws without knowledge in a chain of command. Particularly Germans citizens.

They didn't know it was wrong: Huh? They were offering the world vehicles that at times exceeded ecologically responsible levels of emissions by 40x. You don't have to be a polar bear floating out to sea on a tiny ice floe to know there's something wrong with that.

They don't care about polar bears: Let's be kind. There must be individual VW employees who care about individual polar bears, but as a group it's possible their concern for for endangered species being wiped out by carbon gases was extinguished and replaced by other emotions. Like greed.

Greed? Really? Sometimes the simplest explanation are the most credible. Still, this doesn't feel like enough. They had to know this would cost them at some point down the road, unless...

They thought everybody else was stupid: I'll buy that. Corporate arrogance is not unheard of, nor is the belief that one's intelligence is superior to that of others.

They did it because they could. Now we're getting somewhere. Mad scientists in white coats don't build monsters only in the movies. Did we really need a hydrogen bomb? How about a method of editing genes to create a new species of ubermenschen? They're doing that today, although not VW.

They were actually proud of the engineering skill it took to pull it off. Of course they were. I guarantee you champagne corks were flying.

They're in a desperate fight for market domination that ruptured their normal sense of right and wrong: Yep. The company was facing rules and regulations that might have interrupted their ambitious drive to be No. 1 in the world. With the proper senior officers in charge, virtually any actions would be justified by greater good that was being achieved.

So they're operating on an ethical framework in which what they're doing is actually right, in a way? Yes. That's generally what people tell themselves when they ignore reports saying their oil rig will explode soon, or jump a turnstile, or hawk a security their firm is betting heavily against. Nobody really ever thinks, I'm going to do something wrong now. There's always a rationale. Sometimes a divine one.

Maybe they thought they could get away with it forever? Yeah. I bet they did.

And they figured they would be able to handle it if the thing blew up. Of course. People always tell themselves that.  

Still, if you add up all these things there is a moment when the guys in charge look at one another an say, "Achtung, baby," and pass the good news down the line. And that defying moment is what separates those who cheat, lie and steal from those who don't.

So they're crooks, right? I guess so. Now tell me something we didn't know."

By Stanley Bing @ stanleybing.com


domingo, 15 de novembro de 2015

Confrontados com a agressão dos fundamentalistas muçulmanos, e dos seus crimes, o que fazer, como reagir?

Não devemos baixar os braços e desistir. Devemos ter a ousadia de exibir em voz alta os nossos valores e fazê-los triunfar. Estamos na Europa, herdeiros de uma longa história com as suas partes sombrias, mas também com as suas as luzes, o que nos permitiu generalizar no nosso espaço a liberdade de expressão, o pensamento crítico, e o secularismo. Colocá-los na frente, individual e coletivamente, é a resposta que precisamos de dar.

Temos de deixar de ser compreensivos com o obscurantismo e a intolerância. É preciso dizer, de uma forma assertiva e de uma vez por todas, que o fundamentalismo islâmico é uma regressão intelectual inaceitável porque carrega uma enorme ameaça para a perpetuação dos nossos valores e das nossas vidas. Precisamos a todo custo de convencer as mentes pervertidas.

Concretamente isto significa que temos de nos concentrar em ensinar à nossa juventude, a não aceitar excessos contrários aos nossos valores, que possam ser incutidos por adultos, mesmo que sejam os seus pais. É inaceitável que no nosso território europeu, alguns continuam a colocar nas mentes frágeis conceitos apriorísticos e proibições religiosas. Temos de incutir nos jovens o amor pela ciência; mostrar-lhes a beleza dos números, o sonho da vida e as estrelas, em vez do livro "santo" de um ignorante do século VII. Quanto a este último, não há que hesitar em  mostrar as inconsistências, imprecisões, e do que não são verdades.

Face aos adultos, que vivem entre nós, mas que ainda não entenderam o século em que vivem, temos de ser claros. É preciso que os media deixem de manifestar um falso respeito, infundado, a uma ideologia retrógrada e, especialmente, anti-social. Devemos como sociedade, recusar sinais distintivos externos ou comportamentos que transmitam esta ideologia que nos faz guerra. Se deixarmos uma mulher usar o véu (ou pior, uma burca), depois dois, depois três, vamos acabar com uma população feminina posta numa condição inferior de liberdade diminuída. Se permitirmos que uma criança se ausente de uma aula de ciências naturais, onde é ensinada a teoria de Darwin, corremos o risco de perpetuar uma sociedade regressiva.

Parafraseando Willian Ernest Henley, “It matters not how strait the gate, How charged with punishments the scroll; I am the master of my fate: I am the captain of my soul.” eu diria que somos certamente todos nós os capitães da nossa própria alma, mas sendo seres sociais e ainda livres, acrescento também, que somos coletivamente responsáveis ​​pela evolução da sociedade a que todos nós pertencemos. Não nos esqueçamos na nossa vida cotidiana. Sem concessões!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Os meus momentos únicos e incríveis na Maratona de Nova Iorque.

Correr é popular no mundo inteiro, porém, cada primeiro domingo de novembro é inegavelmente tecido na tela de Nova York. Corredores dos EUA, de todo mundo e não apenas os cidadãos de Nova Iorque consideraram a Maratona de Nova Iorque (NYCM) como única.

Esta foi a minha quarta estadia em Nova Iorque (NY), e sempre que regresso a casa, sinto saudades desta cidade. 

Este ano decidimos visitar Washington antes de tomar o rumo a NY. A cidade é muito agradável, com muitos pontos de interesse, e gente bonita.

Vindos de Frankfurt aterramos no aeroporto de Washington (Dulles International). Chegamos ao controlo de passaportes e à pergunta que venho fazer, respondo correr a NYCM, o agente olha-me e sorri, o que não é uma conduta normal destes funcionários das fronteiras EUA. Procede às diligências e no final deseja-me boa sorte. 

Demos uma volta a pé pela cidade, parando em cada ponto de interesse, como o Supreme Court, Washington Memorial, The Second War II Memorial, The White House e the Washington State Capitol. 

Nas escadas do Capitólio juntou-se um enorme grupo de estudantes que queriam tirar uma fotografia com o um dos seus representantes, o congressista republicano do Michigan, Dave Trott. Para um europeu, e português, estas coisas são interessantes. Imagino um grupo de estudantes de Castelo Branco nas escadas de São Bento com o deputado eleito por aquele circulo…

Viajámos para Nova Iorque no dia seguinte à noite, dois dias antes da maratona. 

Para além de todo o treino específico de preparação, na semana que antecede a prova, há duas recomendações dos profissionais da corrida que devem ser seguidas à risca: Dormir 8 horas e hidratar.

Com o jet lag e a mudança de hora, que ocorreu na véspera, as coisas ficaram um pouco mais difíceis quanto ao sono. Mas consegui dormir bem.


Domingo dia 1 de Novembro, é o dia da maratona. Levanto-me às 5:45 para ter tempo de fazer tudo com calma e tomar o pequeno almoço no Hotel. As dores no joelho direito lá estão. Difusas mas palpáveis.

Há um mês foi-me diagnosticada uma artrite no joelho direito. O médico aconselhou-me a deixar de correr. Nem longas, nem médias, ou curtas distâncias. Simplesmente deixar de correr e dedicar-me a outro tipo de actividade física. Como me tinha preparado para a Maratona de NY e já tinha tudo reservado e pago, decidi fazê-la. 

Às 7:15 pontualmente estou na The New York Public Library para apanhar o autocarro que leva os corredores do midtown para a partida em Staten Island. Adormeço nos primeiros instantes e só acordo com a voz da minha vizinha do lado: Chegámos!

São 8:30 no dia da maratona! Caminhamos para a aldeia maratona - a “staging area" em Staten Island, onde os corredores esperam pela sua hora de início pré-atribuída.

Decido ir à tenda do suporte médico para ver o que podiam fazer com o meu joelho. Entro e indicam-me uma maca para me deitar. O médico de serviço diz-me que, sendo uma artrite, não podia fazer grande coisa, e aliás eu nem devia estar ali, mas já que estava… Levanta-se e vai buscar qualquer coisa. Aparece com um rolo de filme estirável, pede-me para levantar a perna direita, e começa então a enrolar o filme à volta do joelho, apertando ligeiramente. Pára, corta o filme, e pede-me para me levantar e andar até à parede da tenda. Enquanto me levanto ele vai dizendo que aquilo não resolve mas mitiga e permite-me fazer os 42km. Parto a andar. Milagre: a dor desapareceu! O médico faz um sorriso, diz-me adeus e que me deixe de corridas.

Às 09:20 pelo sistema de som, chamam-nos para o ponto de partida. A energia era irreal. Sente-se uma mistura de nervosismo, emoção, incerteza, confiança, esperança e gozo pela multidão.

Eu estava ansioso para começar; Era um sentimento meio louco . Levanto-me tão cedo para chegar ao sítio da partida, e tenho que  esperar tanto tempo, que eu contava os minutos para começar. Subitamente, a contagem decrescente: “On your mark, get set," BANG “ Tiro e o Frank Sinatra com New York, New York. Começou. Eu estava zumbindo e o meu coração a bombar (a frequência cardíaca chegou aos 165 bpm)... Foi finalmente real.

Estava reservada uma surpresa para quando estávamos a atravessar a ponte de Verrazano - Narrows, que liga Staten Island a Brooklyn: A adrenalina que estava ao máximo junto com a inclinação, fizeram com que eu tivesse dificuldade em respirar. E, por uma fração de segundo, pensei que talvez este esforço fosse excessivo, mas estávamos ainda no começo... Desliguei a cabeça das pernas, e lá fui, com a respiração a voltar ao seu normal (sou capaz de correr uma hora a respirar pelo nariz, o que não é recomendável).

Correr no meio da Verrazano foi libertador. A cidade estava parcialmente fechada ao trânsito, e senti-me bem, com aquela sensação única de liberdade. Fui observando a estrutura da ponte, a água ao meu redor, os helicópteros no céu capturando tudo ... 

Fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que caíram no início. Todo a gente estava ansiosa para estar na frente e obter o seu melhor tempo. Havia uma multidão a empurrar e apertar. Felizmente, consegui passar ileso por esta fase. Não obstante os recipientes para a roupa disponibilizados pela organização na zona de partida (são recolhidos todos os anos cerca de 30 toneladas de roupa para distribuir pelos necessitados da cidade de NY), ainda há muitos corredores que resolvem atirar para o chão o que traziam para os proteger do frio matinal: camisolas, bonés, luvas, etc., e isto constitui mais um obstáculo a ter em conta, para evitar uma queda.

A Verrazano tem um milha de comprimento (1,6 km), e quando cheguei ao outro lado, disse para mim: “Faltam apenas 25,2 milhas,” Sorri. Senti-me muito bem durante todo o percurso pelo Brooklyn. É uma longa parte da corrida; cerca de 16 milhas (25,6 km) da maratona são feitas em Brooklyn. Foi como doping ver todos os diferentes estilos dos bairros por onde passámos - pessoas diferentes, diferentes backgrounds, diferentes edifícios. A diversidade é uma das minhas coisas favoritas em NY. E tudo diante de mim era apenas um mar de cores e corredores, tanto quanto os olhos podiam ver.

Eu estava à procura da milha 13, porque naquele ponto, estaríamos a meio, e eu poderia começar a contagem decrescente. Este é o tipo de pensamento que me ocorre e serve de motivação quando faço os meus treinos, sobretudo os de longa distância.

Passando por Brooklin e Queens, tenho pela frente a Queensboro Bridge, que está entre a milha 15 (24km) e 16 (25,6 Km). Após mais de 20km as pernas já não estão frescas e a subida parece que nunca mais acaba. Começo a olhar para o chão, o que é mau sinal. Quando levanto a cabeça não vejo o fim à subida, que embora com uma suave pendente, é desgastante. Vejo os meus parceiros de desafio, começarem a caminhar abandonando o andamento de corrida. Durante o martírio começo a pensar noutro que é o aumento da dor no joelho sempre que tenho que descer. Vem a descida, e de acordo com a minha previsão a dor aumenta, mas suportável não me obrigando a parar. O estirável estava a cumprir a sua missão.

A entrada na Primeira Avenida é fantástica! O barulho da multidão a apoiar os maratonistas faz lembrar um estádio de futebol quando entra a equipa da casa. Constitui um factor de motivação extra para todos, e é também isto que faz da NYM “a maratona”. 

No final da Primeira Avenida, por volta da milha 19 tenho uma câimbra no adutor da perna direita. Parei, sentei-me e comecei a alongar. Os minutos estavam a contar, mas ao contrário das vezes anteriores, o tempo deixou de ser importante. A prioridade era chegar ao fim. Cerca de 5 minutos depois levantei-me e retomei a corrida com um andamento de jogging até ganhar confiança. 

Gosto dos placards e gritos de motivação da multidão ao longo do percurso, excepto nas pontes onde é interdito a permanência de pessoas para além dos participantes. Alguns dos meus favoritos: ”Free beer at the finish line!”. Um deu um passo em adiante com: “Free beer and sex at the finish line!” Havia placards com um círculo em redor: “Touch here for power!” Precisávamos disso. Os placards que diziam apenas “Just keep going” parece que apareciam na hora certa. Um com piada, era um saco de box com Donald Trump.

Aprecio imenso todas as pessoas que tomaram o seu tempo de domingo, e decidiram sair para a rua apoiar os corredores. Os gritos de incentivo, aplausos e a boa energia realmente faz a diferença - para não mencionar todas as bandas tocando nos passeios, e os DJs  com suas cabines ao longo do percurso. Para quem tem que correr os 42,195 Km este ambiente ajuda muito. Ainda sinto o baque da bateria e do baixo para coincidir com o ritmo dos nossos pés. Algures em Brooklyn, alguém estava tocando a música "Hit the Road, Jack." Isto foi perfeito.

Essa energia acompanhou-nos durante todo o caminho até Manhattan, sobre a ponte para o Bronx, e depois de volta para Manhattan - no Harlem, e finalmente pela Quinta Avenida. Toda a gente que veio para a rua apoiar todos os corredores eram heróis para mim e para todos os outros corredores. 

Na milha 20, pensei: ”apenas seis milhas à esquerda! Pode ser assim tão mau?”  Mas foi afinal quando ficou mais difícil. Mais uma câimbra no mesmo adutor, mas desta vez, menos forte, sem nenhuma razão que o explique. Tornei a parar para alongar. Recomecei o que parecia uma eternidade: Chegar à próxima milha. À dor no joelho juntava-se a dor na zona do adutor. Perguntava a mim próprio o que fazia ali a sofrer. O que me fez ir para a frente foi ver corredores incríveis com próteses nas pernas, um homem levando um corredor cego, ou uma mulher mais velha andando com uma bengala. Estas foram as ondas de força que eu precisava. E a lembrança de que minha mente é forte, ainda mais forte do que o meu corpo - o exemplo mais íntimo da mente sobre a matéria.

Vejo o Central Park do meu lado direito, entre a milha 22 (35,2 km) e 23 (36,8 km). Mas ainda faltava a eternidade de 3,2 milhas (5.12 Km).  Mesmo à entrada do Central Park, nova câimbra! Parado outra vez. Repete-se o processo. Recomeço e resgato a energia que me restava, e “ataco” as milhas que faltam até à meta. Consigo acelerar e passar por muitos que já iam a caminhar. 

Finalmente a meta. Corto a meta extenuado e com dores nos joelhos e nas pernas. Dobro-me e agarro os dois joelhos, olhando para o vazio. Chegam ao pé de mim e perguntam-me se estou bem. Respondo que estou morto e abro um sorriso antes que me levem a serio. Mesmo assim perguntam-me se preciso de assistência médica. Ponho-me direito, mantendo o sorriso e digo que não, que estava tudo bem, que queria a minha medalha e a foto com ela. E lá fui buscar a medalha e tirar a foto.



Para o ano há meias-maratonas. É vicio…

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Jacob Fugger


Um banqueiro dos finais da idade média de Augsburg, do sul da Alemanha, Jacob Fugger nunca foi tão celebrado como Cosimo de Medici os seus filhos e primos de Florença, cuja reputação como banqueiros foi polida pelo seu excelente gosto pela arte renascentista. Mas Jacob Fugger foi o melhor banqueiro. Fosse ele hoje vivo, teria provocado um maremoto de Wall Street à City, e a sua história é ainda pouco conhecida. 

ALBRECHT DÜRER’S portrait of Jacob Fugger

Jacob Fugger nasceu numa família de comerciantes de têxteis e banqueiros de Augsburg em 1459. Cresceu rico e poderoso, arriscando o seu capital e sua reputação para financiar as ambições territoriais dos Habsburgos. Jacob Fugger apreciava o relacionamento (network), que iniciou quando o seu irmão concedeu um empréstimo a Frederick III, o imperador do sacro-império romano, não obstante um terrível rating de crédito. Jacob Fugger tornou-se o principal banqueiro do seu filho, o imperador Maximiliano I, fundador do Império Austro-Húngaro, e de Carlos V de Espanha, cuja vitória na Batalha de Pavia limitou a hegemonia dos Habsburgos. Os seus enormes empréstimos foram cobertos por garantias, e seus clientes Habsburgo pagaram frequentemente em espécie e não em dinheiro.

Jacob Fugger foi capaz de obter o controlo das comodidades, como a prata, da Áustria, e o cobre, a partir de Hungria. Construiu uma fundição para refinar o cobre e comercializou-o de uma forma bastante impiedosa. Juntou-se a um cartel de produtores de cobre de Veneza e estes concordaram em elevar o preço do metal, esmagando a oferta. Mas Jacob Fugger em vez de proceder de acordo com o combinado, colocou pressão nos seus co-conspiradores e rivais. Inundou o mercado com tanto metal que o preço caiu e os seus concorrentes ficaram gravemente enfraquecidos. 

Posteriormente, ajudou a financiar um esquema Português para mudar o local do comércio da pimenta e especiarias para Lisboa, um movimento tão bem sucedido que deu um golpe fatal à dimensão comercial de Veneza.

Tinha também uma grande sede de informação sobre o comércio, que o levou a criar uma rede de mensageiros, cujos relatórios para Augsburg foram impressos e distribuídos aos clientes na forma de um jornal primitivo. Jacob Fugger tinha inventado o primeiro serviço de notícias do planeta.

O financeiro conseguiu dinheiro fresco para seu banco através da exploração de contas de poupança, que foram introduzidos pela primeira vez em Augsburg e remuneradas a 5% ao ano, contrariando, assim, a proibição da usura pela Igreja Católica. Para ultrapassar a situação criada, Jacob Fugger fez chegar a sua argumentação diretamente ao Papa Leão X, que tinha beneficiado pessoalmente da sua generosidade.

Como reconhecimento o Papa foi compreensivo e a proibição da usura foi adequadamente reescrita em 1515, quando o processo foi redefinido como "um lucro que é adquirido sem trabalho, custo ou risco". Assumir riscos com as poupanças dos clientes tornou-se um negócio legítimo.

O relacionamento de Fugger com o Vaticano foi baseado numa extensa rede através da qual ele transferia a colecta dos ofertórios da Alemanha para Roma (em troca de uma comissão de 3%). Mas a sua mais surpreendente e inesperada conquista histórica, acabou por acender o rastilho da Reforma. Fugger uniu-se com outro cliente Habsburg, para quem ele tinha comprado o arcebispado de Mainz, e os dois começaram a vender indulgências (a remissão dos pecados, que previa, através de uma taxa, um atalho para o céu), dividindo os lucros com o Papa Leo, que usou o dinheiro para construir a Basílica de São Pedro. Em 1517 Martin Luther revoltado por este esquema escreveu as "95 Teses" que amaldiçoaram Roma, o que conduziu à Reforma Protestante.

À medida que os anos foram passando, Fugger foi fazendo uma série de inimigos que o queriam ver morto. Primeiro os Cavaleiros Teutônicos, uma ordem militar medieval, e, de seguida, o campesinato alemão levantou-se contra a exploração pelos comerciantes, dos quais Fugger foi a figura de proa. Um dos líderes da Revolta dos Camponeses Alemães em 1520 era um padre comunista primitivo, Thomas Müntzer, que prometeu aos seus seguidores que Deus iria matar Jacob Fugger. (Durante a guerra fria o retrato de Müntzer apareceu num selo da Alemanha Oriental, e o de Fugger num da Alemanha Ocidental ). Mas ele e os seus colegas comerciantes financianciaram os exércitos que combateram a ameaça ao seus negócios. 

Jacob Fugger morreu em sua cama , em 1525.

Enquanto jovem, Jacob Fugger prometeu a si próprio que iria fazer lucros durante o todo tempo que pudesse. E assim ele fez. Na sua morte, era um multimilionário . Viveu no luxo e dormia bem num palácio em Augsburg. Entre outros, do seu legado ficou em Augsburg o Fuggerei. No início de 1516, Jacob Fugger iniciou a construção de 52 casas, que constituem o mais antigo bairro social em ainda em utilização.

The Richest Man Who Ever Lived: The Life and Times of Jacob Fugger. By Greg Steinmetz. Simon and Schuster; 283 pages; Amazon Price: $27.95.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Gestão de Crise na Volkswagen - Como não lidar com uma crise


Ainda é cedo, mas a história Volkswagen configura-se já como um caso de estudo de como não lidar com uma crise.

A Volkswagen reconhece que tem um grande problema entre mãos. Na Alemanha o Welt am Sonntag cita Hans Dieter Potsch, o novo presidente, designando-o como uma "crise ameaçadora para a existência da empresa."

Mas o facto de Potsch, diretor financeiro da VW desde 2003, ter sido nomeado presidente, bem como outro insider da empresa, Mathias Muller, nomeado CEO, sugere que o board está a circular os seus Volkswagens. O FT contrasta essa posição defensiva com a forma como Siemens tratou o escândalo de suborno em 2006, trazendo um presidente e CEO de fora da Companhia e, finalmente, tomar medidas legais contra ex-executivos

Evidências deixam claro que a instalação do software para mascarar os controlos de emissões, não foram o resultado de alguma operação clandestina - foi impulsionada por decisões tomadas por engenheiros de topo da empresa e aprovadas ao mais alto nível da VW. É um brilhante sinal de néon apontado para uma cultura corporativa doente. Isso não será fácil de mudar, e não será resolvido através de papering meio mundo com apologéticos anúncios de jornal.

Potsch e Muller podem querer aprender com a Maria Barra da GM, também uma insider, que, quando confrontada com o escândalo da chave de ignição e cercada por colegas executivos que também disseram: Isso é ruim, mas podemos superar isso. Barra respondeu: I don’t want to get over it.

"I don't want to set it aside and explain it”, disse ela à Fortune no ano passado, “because I think it has uncovered some things in our company that it's critical we challenge ourselves to change and to fix.”

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

"To keep and bear arms"



WITH one of the highest murder rates among OECD countries—second only to Mexico—America retains its reputation as a disproportionately dangerous country. The number of violent assaults in America is comparable to those of other western countries, yet murders are much more common. The prevalence of guns goes a long way toward explaining America's terrible record—they are used in two-thirds of all murders. Americans are five times as likely to be murdered as Brits but over 40 times as likely to be murdered with a gun.


INTERACTIVE: ”The means to an end”, American gun ownership and suicide rates America has become a much safer place over the past two decades however, but public sentiment has yet to catch on to the fact. In 1993, near the peak of America's crime wave, 7 out of every 100,000 people aged 12 and up were gunned down. That number has since halved. But guns play a large role in suicides too. In 2013, 21,175 Americans killed themselves with guns, while 11,208 were killed by others. Men are four times as likely to kill themselves despite making fewer attempts, in no small part because their preferred method (guns) of suicide is so much more reliable than the alternatives. The rate at which people kill themselves with guns has increased since 2006.


There is no national database of gun ownership, because the gun lobby sees that as a first step towards disarmament. The number of guns in America therefore has to be inferred from survey data, commercial records and background checks. None of these measures are perfect: a gun owner may not necessarily need a background check if he or she buys a weapon at a gun show; a customer may have one background check and buy three weapons; or have a background check and decide not to buy any weapon at all. Put them together, though, and these different sources become more useful. In 2007 the Small Arms Survey estimated that 270 million guns were in the hands of American civilians, or 0.9 per person. That number has almost surely risen since. The Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives publishes annual data on how many guns are manufactured and (legally) imported in the United States. Their figures suggest a sharp increase in gun sales since Barack Obama was elected president. In 2013 about 16 million new guns entered circulation, FBI background checks corroborate this trend.

Mr Obama’s presidency has stirred up anxiety among gun owners, which gun makers have profited from handsomely. The share prices of America’s two largest publically traded gun manufacturers, Sturm Ruger and Smith & Wesson, have increased over 700% and 450% respectively since Mr Obama was elected. The increase in sales seem to be driven by a relatively small slice of the population—individuals seemingly amassing personal stockpiles—as The University of Chicago’s General Social Survey shows that an ever smaller percentage of households have guns.

What keeps America’s firearms in headlines around the world (and perhaps also what keeps news of decreasing overall gun murders out of them) are mass shootings. In the last decade, media reports of incidents such as the 2012 Sandy Hook Elementary School massacre and the June 2015 Charleston church killings have resonated around the world with increased frequency. Even so, such atrocities are still drastically underreported. There’s no comprehensive government database of mass shootings as there is with homicides in general, and for every Sandy Hook, dozens fail to get the country's attention. One group that tries to make up for the gap in the numbers is the Stanford University Geospatial Centre, which aggregates data from the FBI and from news reports. Their findings support the idea that mass shootings are indeed on the rise in the United States.

Despite recent tragedies, support for stronger gun control has wavered. A 2014 Gallup poll showed that just 26% of people wanted to ban handguns, down from 60% in 1959. Moreover, an increasing number of Americans believe that having a gun in the house would make them safer. Some states have actually relaxed their gun laws in recent years. Even given the link between guns and gun violence, which seems obvious to the rest of the world, America is unlikely to implement significant gun control in the near future.

Aug 10th 2015, 10:09 BY THE ECONOMIST THE DATA TEAM

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

"The 2015 World University rankings: Are these really the planet’s best schools?"

The 2015 “World University” rankings were released by Times Higher Education in London on Wednesday, but don’t confuse them with the “2015 World University Rankings” issued in July by a Saudi Arabian group, or the U.S. News & World Report’s “2015 Best Global University Rankings,” or the 2015 “Academic Ranking of World Universities” put out in August by the Center for World-Class Universities at Shanghai Jiao Tong University in China, or … well, you get the idea. Be very, very careful with school rankings.

And to answer the question you are about to ask: No, the results aren’t identical.

Harvard is No. 1 on three of the four rankings mentioned above — all but the Times Higher Education list, which gives the top spot to the California Institute of Technology, for the fifth straight year. Harvard ranks sixth on the Times list. Caltech is seventh on the list from China as well as on the U.S. News list but 12th on the list from Saudi Arabia. The University of Oxford in England is No. 2 on the Times Higher Education list, but No. 5 on the list from Saudi Arabia as well as U.S. News, and No. 10 on the list from China.

Each list has its own methodology and its own criteria, though there is overlap. Naturally, each claim to be extra-special. For example, The Times Higher Education Web site says:

The Times Higher Education World University Rankings 2014-2015 list the best global universities and are the only international university performance tables to judge world class universities across all of their core missions – teaching, research, knowledge transfer and international outlook.

And the Web site of the Academic Ranking of World University says:

Starting from 2003, ARWU has been presenting the world Top 500 universities annually based on a set of objective indicators and third-party data. ARWU has been recognized as the precursor of global university rankings and the most trustworthy league table.

Let’s look at the release of the Times Higher Education World University Rankings 2014-15, which offers good and bad news for the United States. The good news: 147 U.S. institutions are on the list of 800 schools.  That’s far more than Britain, with 78; Japan, with 41; China, with 37; and Germany, also with 37. What’s more the California Institute of Technology is No. 1 for the fifth straight year. The bad news: The U.S. dominance may be threatened in “years to come.” (As bad news goes, that’s not so bad.)

In the release, Phil Baty, editor of the Times Higher Education World University Rankings, said:

“The United States still dominates the World University Rankings, with a staggering 147 institutions featured in this prestigious list, including California Institute of Technology, which has held on to pole position for the fifth year in a row. Despite this achievement, the US will have to watch out for countries in continental Europe, such as Germany and the Netherlands, and Asia, such as China, that may threaten its status in years to come. While 47 states in the US have implemented higher education funding cuts since the recession in 2008, including California, which cut its university system’s budget by $900 million, or 27 per cent, these standout performers in Europe and Asia are continuing to invest heavily in higher education. The US will have to raise its game to ensure its dominance does not erode.”

Note: Despite his warning about California’s disinvestment in higher education, which is real and unacceptable, it turns out that the U.S. News list of world-class universities includes three public schools from California — the University of California at Berkeley at No. 3, the University of California at Los Angeles is No. 8 and the University of California at San Diego is No. 18.  Meanwhile, the University of Michigan is in a tie for No. 14 with two other schools, including the University of Washington. That makes a total of five public U.S. universities on the U.S. News list — one fourth of the top 20.


Rank 2015-16 Institution Country
1 California Institute of Technology US
2 University of Oxford UK
3 Stanford University US
4 University of Cambridge UK
5 Massachusetts Institute of Technology US
6 Harvard University US
7 Princeton University US
8 Imperial College London UK
9 ETH Zürich – Swiss Federal Institute of Technology Zurich Switzerland
10 University of Chicago US
11 Johns Hopkins University US
12 Yale University US
13 University of California, Berkeley US
14 University College London UK
15 Columbia University US
16 University of California, Los Angeles US
17 University of Pennsylvania US
18 Cornell University US
19 University of Toronto Canada
20 Duke University US

How was this list created? Thirteen performance indicators are grouped into five areas:

Teaching: the learning environment (worth 30 percent of the overall ranking score)
Research: volume, income and reputation (worth 30 percent)
Citations: research influence (worth 30 percent)
Industry income: innovation (worth 2.5 percent)
International outlook: staff, students and research (worth 7.5 percent).
As you can see, reputation matters, as does money. Measuring reputation can be tricky, it is worth noting, giving that it is entirely subjective and all of these listings claim to be using objective measures based on solid data.

Here are the 13 performance indicators:

Industry income – innovation
1. Research income from industry/academic staff. Yes, income matters here.

Teaching – the learning environment
2   Reputation survey – teaching. Yes, reputation matters, as if reputation always matches reality.
3.  Staff-to-student ratio
4.  PhDs/undergraduate degrees awarded
5.  PhDs awarded/academic staff
6.  Institutional income/academic staff

Citations – research influence
7.  Citation impact (normalized average citations per paper)

Research – volume, income and reputation
8.  Reputation survey – research
9.  Research income/academic staff
10. Scholarly papers/academic staff and research staff

International outlook – staff, students and research
11.   International students/total students
12.   International academic staff/total academic staff
13.   Scholarly papers with one or more international co-authors/total scholarly papers

The Academic Ranking of World Universities — which includes a basic list and then sub-lists based on subject — is conducted by researchers at the Center for World-Class Universities of Shanghai Jiao Tong University in China, which has been focusing on the study of world-class universities for many years,  hosting the “First International Conference on World-Class Universities” in 2005 and organizes the conference every second year. The center also builds databases of major research universities in the world and clearinghouse of literature on world-class universities, and provide consultation for governments and universities.

Here are the top ARWU 20 on its rankings of 500 universities:

1. Harvard University
2. Stanford University
3. Massachusetts Institute of Technology (MIT)
4. University of California, Berkeley
5. University of Cambridge
6. Princeton University
7. California Institute of Technology
8. Columbia University
9. University of Chicago
10.University of Oxford
11. Yale University
12. University of California, Los Angeles
13. Cornell University
14. University of California, San Diego
15. University of Washington
16. Johns Hopkins University
17. University of Pennsylvania
18. University College London
18. University of California, San Francisco
20. Swiss Federal Institute of Technology Zurich

The Academic Ranking of World Universities, the Web site says, “adopts six objective indicators to rank world universities, including the number of alumni and staff winning Nobel Prizes and Fields Medals, the number of Highly Cited Researchers, the number of articles published in journals of Nature and Science, the number of articles indexed in Science Citation Index – Expanded and Social Sciences Citation Index, and per-capita performance. More than 1,200 universities are actually ranked by ARWU every year and the best 500 universities are published.”

The king of college rankings, U.S. News & World Report, got into the world ranking business in October 2014, with its “2015 Best Global University Rankings.” Here’s the U.S. News list:

1. Harvard University
2. Massachusetts Institute of Technology
3. University of California–Berkeley
4. Stanford University
5. University of Oxford
6. University of Cambridge
7. California Institute of Technology
8. University of California–Los Angeles
9. University of Chicago
10. Columbia University
11. Johns Hopkins University
12. Imperial College London
13. Princeton University
14. University of Michigan
14. University of Toronto
14. University of Washington
17. Yale University
18. University of California–San Diego
19. University of Pennsylvania
20. Duke University

U.S. News is famous for using reputation as a key criteria in its listings of U.S. colleges and universities — and it uses it, too, in the global university rankings, as the chief factor — 12.5 percent for global research reputation and 12.5 percent for regional research reputation. The rest of the criteria:

Publications 12.5%
Normalized citation impact   10%
Total citations  10%
Number of publications that are among the 10 percent most cited 12.5%
Percentage of total publications that are among the 10 percent most cited 10%
International collaboration 10%
Number of Ph.D.s awarded  5%
Number of Ph.D.s awarded per academic staff member  5%

This past July, a different list of the world’s best universities was released as an annual exercise by something called the Center for World University Rankings. What is the Center for World University Rankings? The Web site doesn’t exactly spell it out, but it is a Saudi-based consulting group that puts out university rankings, or, at least has done every year since 2012. The president of the center is Nadim Mahassen, an assistant professor at King Abdulaziz University in Jeddah, Saudi Arabia.

The center says it publishes “the only global university ranking that measures the quality of education and training of students as well as the prestige of the faculty members and the quality of their research without relying on surveys and university data submissions.”

Measuring prestige? Hmmm. Take a look at what the center calls “eight objective and robust indicators” that it uses to rank what it says are the world’s top 1000 universities:

1) Quality of Education, measured by the number of a university’s alumni who have won major international awards, prizes, and medals relative to the university’s size [25%]
2) Alumni Employment, measured by the number of a university’s alumni who have held CEO positions at the world’s top companies relative to the university’s size [25%]
3) Quality of Faculty, measured by the number of academics who have won major international awards, prizes, and medals [25%]
4) Publications, measured by the number of research papers appearing in reputable journals [5%]
5) Influence, measured by the number of research papers appearing in highly-influential journals [5%]
6) Citations, measured by the number of highly-cited research papers [5%]
7) Broad Impact, measured by the university’s h-index [5%] [which attempts to measure the quality and impact of a scholar of scientist’s body of work]
8) Patents, measured by the number of international patent filings [5%]

Apparently, being a great teacher to students doesn’t factor into the “quality of education.”

Here are the top 20, in order of ranking, as measured by the indicators above:

1. Harvard University
2. Stanford
3. MIT
4. University of Cambridge
5. University of Oxford
6. Columbia University
7. University of California, Berkeley
8. University of Chicago
9. Princeton University
10. Cornell University
11. Yale University
12. California Institute of Technology
13. University of Tokyo
14. University of Pennsylvania
15. University of California, Los Angeles
16. Johns Hopkins University
17. Kyoto University
18. New York University
19. University of Michigan, Ann Arbor
20. Swiss Federal Institute of Technology in Zurich

In these rankings, the United States had 229 schools ranked in the top 1,000, by far more than any other single country. China had 83; Japan, 74; the United Kingdom had 65; Germany, 55; France, 49; Italy, 47; Spain, 40; South Korea, 36; Canada, 33; Australia, 27. Russia had only five, fewer than Israel’s seven.

And the lesson in all of this? Once again, beware of school rankings.

Valerie Strauss covers education and runs The Answer Sheet blog.

The Washington Post