domingo, 15 de março de 2015

UBER


Desloco-me uma vez por semana a Lisboa. Desde que a Ryanair iniciou os voos matinais para a Capital, com possibilidade de regresso ao final da tarde do mesmo dia, uso a combinação avião com o metro. É rápido e barato. Os voos custam entre os 10 e os 20€, dependendo da antecedência com que se compra o bilhete, a fava é que o matinal significa sair às 6:30 do Porto para chegar a Lisboa por volta das 7-7:15.  Obriga a levantar cedinho, mas evita 3 horas de condução para lá e 3 para cá.

 O metro mesmo à porta do Aeroporto, leva-nos a qualquer ponto da cidade por 1,60€, de uma forma rápida e cómoda. 

Há uns meses atrás tive que alterar esta rotina, e fui para Lisboa no avião da noite, com regresso no dia seguinte ao final da tarde. Como o avião chegou com atraso por volta da meia-noite, tomei a opção de apanhar um táxi. Porque não gosto dos táxis das chegadas, dirigi-me às partidas e fiquei espantado com a quantidade de táxis aí estacionados à espera de clientes. 

Levava comigo uma pequena mala de alumínio onde cabe o portátil, uma ou duas camisas, roupa interior e um dossier. Comprei-a para viagens de um a dois dias. 

À minha frente tinha três filas de táxis, e taxistas fora dos seus carros em amena cavaqueira. Quando me dirigia ao grupo, um deles saiu na minha direcção, dando as boas noites e pedindo para o seguir, era ele que iria fazer o serviço. Quando se aproximou do táxi, abriu o porta bagagens e pediu-me para colocar a mala lá dentro. Disse-lhe que não, que ela iria comigo dentro do táxi. Respondeu-me que sim senhor, mas que teria que pagar a taxa para uma mala de viagem. Respondi-lhe que se tratava de uma mala de portátil, embora não tivesse esse aspecto, e portanto não haveria nada a pagar de extra. O grupo de taxistas saiu em defesa do colega, e na ausência de opções lá entrei no táxi. A viagem foi feita a discutir sobre dimensões de malas. No final, paguei a maldita da taxa e jurei nunca mais usar os táxis do aeroporto de Lisboa.



Nesta última sexta-feira, estando fora do alcance da rede de metro, utilizei pela primeira vez, o UBER, o sistema de transporte alternativo aos táxis. Foi uma excelente surpresa, com o BMW série 5 novo em folha e limpo, um motorista bem apresentado, (de gravata), educado, o rádio sintonizado na Smooth FM e por um preço equivalente aos táxis. Não obstante o tráfico intenso na segunda-circular que nos obrigou a parar várias vezes  durante o percurso até ao Aeroporto, foi uma viagem agradável. No final o motorista veio abrir-me a porta e verificou se eu tinha deixado alguma coisa esquecida. Fiquei cliente!

Vou deixar de ouvir "o Pinto da Costa é que os leva bem", "isto é tudo uma cambada de ladrões", "eles querem é governar-se", "faz falta um Salazar ou vários para pôr isto tudo na ordem", " já viu estas gajas com estas mini saias, com as pernas todas à mostra a provocar o pessoal, e depois queixam-se" e outras frases do género, em simultâneo com a rádio sintonizada na rádio Loures, com os comentários dos locais sobre tudo de mau que lhes vem à cabeça.

Que saudades que vou ter dos táxis de Lisboa...

sexta-feira, 13 de março de 2015

BES

Assisti algumas sessões do inquérito parlamentar ao caso BES, e para alem de algumas questões pertinentes (poucas) colocadas a Ricardo Espírito Santo, e a outros responsáveis pelo Banco, fiquei sempre com a sensação que as perguntas dos deputados eram mais formais que substantivas, não obstante a ausência de eloquência. Na interpelação a Henrique Granadeiro o alvo foi a sua gestão na PT, e das aplicações feitas no BES (grupo), saindo do âmbito da comissão, a quem compete investigar o que se passou no BES e no seu universo. Antes de formular um juízo definitivo sobre o trabalho da comissão, vou esperar pelo seu relatório.

Entretanto Francisco Seixas da Costa, no seu Blog "duas ou três coisas" escreveu o texto abaixo que corresponde que nem uma luva ao que penso sobre o tema.

"Interrogo-me seriamente sobre a utilidade da comissão parlamentar sobre o BES. Percebo que, para as senhoras e senhores deputados, que, com cara grave, afivelam as suas indignações e se esforçam por mostrar ao país (em ano eleitoral, rende) a utilidade da função que cumprem, isso possa ser tarefa útil. Mas para além do estímulo ao "voyeurisme" sobre os ex-poderosos, ali justamente humilhados, em face da evidência das suas traficâncias, e do observar do desplante e contradições sem consequências de alguns dos depoimentos, o que é que o país ganha com este exercício? Explorar as divergências entre quem, sem exceção, empochou muitos milhões que saltaram dos bolsos dos pobres investidores que agora "assaltam", com todo o direito, as agências do Novo Banco, justifica todo este alarido? Ficamos a conhecer melhor o que por aí anda no mundo das negociatas financeiras? Talvez. E depois? No que me toca, já deixei de acompanhar o exercício. Fico impacientemente à espera da Justiça, a mesma que "engaiola" com toda a facilidade um carteirista do elétrico 28 mas, aparentemente, não tem "espaço" de cela para os "megacarteiristas" de alguma banca. A mesma Justiça que, estranhamente, sobre este caso, não faz o menor "leak" para o "Correio da Manhã". Por que será? Alguém já se perguntou?"

quinta-feira, 12 de março de 2015

Porque não baixam os preços dos bilhetes de avião?





As maiores companhias de aviação estão a poupar biliões de euros com os actuais preços do petróleo. Poderão parte destas poupanças serem repassadas para os passageiros?

Se quisermos saber quem está beneficiar da queda dos preços do petróleo, não precisamos procurar longe. "Este foi o melhor ano, de há muito tempo a esta parte, na história da American Airlines", comentou o seu CEO, Doug Parker, algumas semanas atrás, na apresentação dos resultados da companhia relativos a 2014, com um lucro de $4.2 biliões.

A boa performance das companhias áreas é uma boa notícia para os seus accionistas e trabalhadores, cujos os aumentos de salários, estão em muitos casos congelados.

E para os passageiros? será a que enorme queda do preço do combustível aeronáutico teve efeitos nas tarifas praticadas? Parece que não. 

Estou neste momento a comprar um bilhete para Novembro na Lufthansa, do Porto para Nova York, com escala em Frankfurt. Irei participar na New York Marathon em 1 de Novembro. O ano passado, praticamente com a mesma antecedência, paguei 648,44€, o preço actual para o mesmo trajecto é de 857,38€.

Por razões familiares, deslocou-me com alguma frequência a Praga. O ano passado por esta altura paguei 323,33€ para um voo Porto-Frankfurt-Praga na Lufthansa. Neste momento, o mesmo percurso com a mesma tarifa (há promoções em curso) sai a 399,86.

Não sou o único a constatar que os preços não acompanham a descida do preço do petróleo, comentando este facto com amigos meus, eles partilham do mesmo modo de ver.

Há uns anos atrás o custo do carburante subiu para $0,8 por litro, e as companhias aéreas aplicaram taxas sobre o custo do combustível. Neste momento o preço do combustível está abaixo de $0,45 e as taxas mantêm-se. O Department of Transportation dos EUA confirma que as tarifas estão ao nível mais alto de sempre. 

Como é que isto acontece? Inicialmente alguns, defendiam que as Companhias, quando petróleo estava bem acima dos $100 por barril, tinham implementado estratégias de cobertura de preços que os trancavam acima de um determinado valor, não perspectivando a descida que se veio a verificar.

Agora sabe-se que esta estratégia foi adoptada para uma parte das compras de combustível, o que foi um acto de prudente de gestão. 

Mas não é esta a verdadeira razão. Na última década, as Companhias aéreas saturaram a capacidade (ainda me lembro de aviões de 100 lugares com 20 ou 30 passageiros!), optimizando rotas, vendendo e aviões. Houve fusões e aquisições como KLM+Air France+Transavia, British Airways+Ibéria+Vueling, Lufthansa+Swiss+Austrian. 

Estes passos ajudaram a manter os preços no actual nível. 

Vejamos o que se passa na rota Nova Iorque-Londres. Não há muito tempo, havia meia dúzia de Companhias de Aviação, competindo por passageiros, e era comum a guerra de preços. Hoje, três companhias impuseram-se às restantes e ditam as leis: British, American, Delta-virgin e a United-Continental.

Se visitarmos um site de viagens, verificamos que as tarifas são praticamente iguais, e um passageiro frequente sabe, que estes preços são mais altos do que eram.

Na Europa, as alternativas são a Ryanair, Easyjet , e as outras operadoras de baixo custo. Mas como se sabe, mesmo que o serviço tenha piorado nas outras Companhias, não se pode comparar a Lufthansa com a Ryanair. Esta última, mesmo com um rácio de 800 passageiros por trabalhador, que compara com os cerca de 400 passageiros por trabalhador da Lufthansa, continua a ter resultados excelentes, pensando os passageiros que é pela produtividade que os conseguem, já que as suas tarifas são muito inferiores. Mas a Ryanair está também a beneficiar dos baixos preços do combustível, e pessoas ligadas à aeronáutica, afirmam que a Ryanair pode praticar preços ainda mais baixos.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Difícil de encontrar 5 estrelas juntos na mesma gravação


Somethin' Else foi gravado em 1958, e junta, para além do saxofonista Julian "Cannonball" Adderley,  Miles Davis (trompete), Hank Jones (piano), Sam Jones (contrabaixo) e Art Blakey (bateria). 

É considerado como um dos melhores álbuns de jazz de todos os tempos, e constitui um marco no Cool Jazz.

O tema "Autumn Leaves", tem a sua origem em 1945 com letra do poeta Jacques Prévert e música do compositor Joseph Kosma.

O solo de Miles Davis é absolutamente genial, mas o tema é tocado de uma forma original e magistral por todo grupo, o que resultou num trabalho que perdura até aos dias e hoje. 

"Autumn Leaves" faz parte da minha playlist e acompanha-me em todas as viagens.

terça-feira, 10 de março de 2015

The Times They Are A-changin' for Norway


Visitei a Noruega por várias vezes. A primeira, foi de forma inesperada. Aconteceu no anos 80, quando ia visitar uma fábrica em Gotemburgo na Suécia. Tinha um bilhete Porto-Londres-Estocolmo-Gotemburg. O voo BA da tarde para Londres atrasou-se, e perdi a ligação para Estocolmo. Entre as várias opções que a BA me colocou, escolhi um voo Londres-Stavanger-Oslo-Gotemburgo. A primeira etapa seria ainda no mesmo dia, e o resto no dia seguinte. 

Nunca tinha ouvido falar de Stavanger nem fazia ideia onde se situava na Noruega. O aeroporto estava repleto de cartazes publicitários a válvulas enormes, bombas descomunais, fotografias de plataformas de extracção de petróleo, e publicidade aos suspeitos do costume, quando se fala em petróleo: BP, Shell, etc. 

Consegui um quarto num hotel de quatro estrelas com um preço equivalente ao Ritz de Lisboa. Fui ao bar beber uma cerveja, e reparei que estava cheio de uma frequência constituída 100% por homens. Perguntei ao empregado que me serviu, qual era a principal actividade da cidade, e ele respondeu espantado, como seu eu tivesse chegado de outro planeta; Petróleo!


No final dos anos setenta li "L'énergie et désarroi post-industrial" que previa o fim do petróleo para 2020-2030, e a consequente subida constante dos preços. Não vai acontecer. O autor não conseguiu prever o aparecimento de novas tecnologias que permitem extrair petróleo a grande profundidade. 

Quando em 2014 o EUA atingiu a auto-suficiência em petróleo, e a economia mundial não continuou a acelerar como nos anos anteriores, os preços baixaram, com consequências negativas para os tradicionais países produtores, e a Noruega não escapou. 

É o fim da idade de ouro. Décimo-quarto produtor mundial de petróleo, a Noruega é, também afectada pela queda do preço do petróleo, que se observa desde o verão de 2014. Neste ano as receitas publicas ligadas ao sector petrolífero caíram 34,6 biliões de euros (297 biliões de coroas norueguesas), contra 40,5 biliões de euros em 2013, de acordo com os números oficiais publicados no dia 26 de Fevereiro.

Trata-se de um grande desafio para este país de 5 milhões de habitantes que, graças à exploração dos hidrocarbonetos da mar do Norte, se tornou um dos mais ricos do mundo, em menos de 40 anos.

Antes do petróleo:


Depois com o Petróleo:


À primeira vista, o país dos fiordes, não tem razão para grandes preocupações. Irmão pobre da Suécia até 1969, data da descoberta das primeiras jazidas de petróleo, o país viveu depois um incrível boom. O PIB per capita , que era em 1971 próximo da Grécia, é hoje em dia 50% superior ao da Suécia. Em 2014 o PIB norueguês cresceu 1,8%, o dobro da zona euro, e deverá crescer para 1,9% este ano. Por fim, a taxa de desemprego na Noruega é de 3,7%, o que na prática significa pleno emprego.

Mas a brutal queda dos preços do petróleo e o declínio das suas reservas, obrigam o país a acelerar a diversificação da sua economia, já que 20% do seu PIB depende dos hidrocarbonetos. Statoil a empresa gigante do petróleo, controlada em 70% pelo estado, prevê reduzir os seus investimentos em 10% este ano. Os despedimentos neste sector, multiplicam-se: Segundo diferentes estimativas, 30 000 a 40 000 empregos poderão ser destruídos nos próximos meses.

É preciso dizer que o boom do petróleo, foi acompanhado por um forte crescimento dos salários na indústria petrolífera; apesar da desvalorização da coroa nos últimos meses, os salários são 50% mais elevados que na Grã-Bretanha ou nos Estados Unidos, ao ponto de ameaçar a competitividade do sector petrolífero. O país sofre igualmente duma produtividade decrescente, de uma fraca participação ao mercado de trabalho, e uma taxa de abandono escolar relativamente elevada. Tudo isto faz com que alguns economistas falem num reino que se encostou à sombra de uma bananeira.

Nos últimos 20 anos, a dívida das famílias voou: A dívidas dos casais de 30 anos atinge, em média,  os 300% dos seus rendimentos disponíveis. Muitos endividaram-se para comprar uma residência principal e secundária, convencidos que os salários continuariam com a sua trajectória ascendente.



Se de momento alguns economistas acham que este nível de endividamento é sustentável, a situação financeira de muitos noruegueses é frágil.

O preço médio de uma habitação quase duplicou nos últimos dez anos, em particular nas cidades localizadas perto da indústria do petróleo. O risco de inadimplência é elevado nas hipotecas sobre imóveis, e a verificar-se, induzirá grandes perdas para os bancos.

A Noruega tem uma sólida rede de segurança social, que dá garantias ao cidadão na eventualidade de ele ficar sem salário.  Mas, no caso de uma grave crise social, que leve ao aumento do desemprego, os elevados níveis de endividamento podem tornar-se um sonho mau para as famílias afectadas. Se os preços das casas cairem ao mesmo tempo, o sonho mau transformar-se-á num pesadelo.

Se o preço das casas cairem 30%, um em cada quatro domicílios ficará com uma dívida superior ao valor da sua habitação. Facto que não será original, basta ver o que se passou aqui ao lado, na vizinha Espanha. Mas é um país do sul...

Se em consequência, as famílias reduzirem o seu consumo, a fim de reduzirem a dívida, a economia será negativamente afectada, com as consequências que nós conhecemos...

Apesar da inquietude dos especialistas, o governo (coligação de vários partidos de direita) garante que tem o assunto na mão. "...a nossa estratégia é de favorecer investimentos nos sectores não-petrolíferos, através de uma fiscalidade atractiva..." que acrescenta "Aumentaremos também os investimentos em infraestruturas, em R&D, no sistema educativo, tudo isto de favorecer o fomento de novas actividades e empregos.

Em paralelo, o governo lançou reformas em todos os azimutes do Estado e nos serviços públicos: Saúde, Autarquias, Polícia..., com o objectivo de melhorar as eficiências do custo.

Isto chegará para assegurar o futuro do reino? Se ainda é cedo para dizer, uma coisa é certa: Em caso de um golpe duro, a Noruega conta sempre com o seu fundo soberano, criado  em 1990 para canalizar e investir no estrangeiro o maná das receitas petrolíferas. Este fundo vale actualmente 750 biliões de euros, o que o torna o maior fundo soberano do mundo.

Fontes: OCDE e Financial Times

segunda-feira, 9 de março de 2015

Voar sem combustível



Levantou voo hoje do Abu Dhabi o Solar Impulse 2, avião totalmente movido a energia solar. Se tudo correr bem, e espero que sim, vai dar a volta ao mundo. Voará pelo o Oman, India. Birmânia, China, oceano Pacífico, Estados Unidos, Atlântico, Europa do sul, África do Norte, para regressar ao ponto de partida, com várias escalas pelo meio.

O avião com descolagem autónoma que se transforma em voo, graças às suas 17 248 células de silício monocristalino com uma espessura de 135 microns, que alimentam 4 motores de 17,5 CV, assemelha-se aos primeiros engenhos voadores dos pioneiros Wilbur Wright (no início do século XX).

Tem 72 metros de envergadura (maior que um Boeing 747), e está concebido para poder planar, o que reduz praticamente o seu consumo a zero. Pesa 2,3 toneladas e desloca-se a 70km/h durante dia, carregando as suas baterias de lítio, com um peso de 635 Kg, o que permite ao aparelho voar de noite, reduzindo a velocidade para 36 Km/h. 

A sua fuselagem coberta de tecido é longa e sem graça. No ar, com as suas luzes acesas, é soberbo. Não obstante a sua autonomia quase ilimitada, o solar Impulse não anuncia nada de novo para a aviação (quem sabe?), mas se conseguir o seu propósito, é a prova, voando, do potencial ilimitado das energias renováveis. 

O projecto conta contou com o suporte de grandes nomes da indústria como a Solvay, Schindler, ABB, Omega e Altran. Teve também o apoio da Fundação do Principe Alberto do Mónaco.

Ainda o Dia Internacional da Mulher


Questiono-me sempre nesta data, sobre o sentido da existência de um dia internacional para comemoração da condição da mulher. Não consigo deixar de pensar nesta data como algo de bizarro, já que nos dias de hoje deveria ser já um dado adquirido a igualdade de direitos, e o género não devia sequer ser um tema.

Mas infelizmente é.

O que talvez dê por si só sentido a esta comemoração, sobretudo tratando-se de um evento internacional.

Para além da atualidade das lutas ainda hoje travadas pelas mulheres, aqui, como em todo mundo, com expressões bem diferentes consoante se tenha tido a sorte de nascer deste lado do globo, ou a desventura de nascer em sociedades onde os mais elementares direitos das mulheres não são respeitados, continua a ser evidente que às mulheres é exigido um esforço adicional para atingirem o reconhecimento num mundo ainda dominado pelo masculino. 

Continuemos portanto a comemorar!

domingo, 8 de março de 2015

8 de Março de 1908


Neste domingo, 8 de março, celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Um dia para celebrar as conquistas económicas, políticas e sociais das mulheres no passado, presente e futuro.

Vários episódios entre o final do século XIX e início do século XX, relacionado com manifestações de mulheres, que reclamavam a redução de horário de trabalho, melhores salários, bem como o direito a votar, estiveram na origem da celebração de um dia dedicado às mulheres, em homenagem as estas pioneiras na defesa dos seus direitos.

Passados todos estes anos, a actual agenda das mulheres continua a contemplar alguns dos temas que as manifestantes de 1908, reclamavam, como seja o salário igual para trabalho igual.

Em 1910 numa conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de Março, passaria a ser o Dia Internacional da Mulher. Esta decisão veio a ser oficializada por decreto em 1975 na ONU.

A desigualdade salarial entre homens e mulheres continua a ser uma questão premente, não só em Portugal mas num grande número de países europeus.

sábado, 7 de março de 2015

“The Basic Laws of Human Stupidity”

O italiano Carlo M. Cippola (1922-2000) foi professor de história económica nas Universidades de Pisa (Itália) e Berkeley (EUA).

De vez em quando o seu nome aparece como Carlo Maria Cipolla, como  sucede na introdução ao autor pela Livraria Bulhosa. Mas, de facto, o seu nome é Carlo Cipolla, e o M. apareceu, enquanto preenchia os formulários da Universidade de Berkeley, ao defrontar-se com um campo para o nome do meio.

Este não foi o primeiro acto “out-of-the box” associado à reputação de Carlo M. Cipolla. Outro,  tem a ver com o seu mais famoso livro “Allegro ma non troppo”, que nasceu como uma brincadeira.

O seu estilo narrativo, num tom quase coloquial, permitiu-lhe traduzir temas mais densos de ordem técnica e da estatística para o grande público. No seu estilo surge também um humor subtil, patente em “Alegro ma non tropo”, que se tornou um long-seller da editora Il Mulino, o que constitui um caso excepcional entre historiadores.

Constantemente reimpresso, já vendeu para cima de 500 mil cópias em Itália e no mundo. Para além do Inglês, tem edições em 13 línguas entre as quais o Português .

Em 1973, Cipolla  pede à sua editora de Bolonha, que está prestes a publicar a tradução da História Económica da Europa pré-Industrial, para imprimir um pequeno texto em Inglês que pretende oferecer aos amigos pelo  Natal.

Trata-se de uma deliciosa paródia ao modo de fazer história económica da antiguidade e da Idade Média em 43 páginas. Desconheço o título que Cipolla lhe deu em Inglês. Em português o opúsculo designa-se por “Pimenta, Vinho, (E Lã) No Desenvolvimento Económico Medieval”. O autor estabelece uma relação entre o comércio das especiarias, em particular o da pimenta, à qual se atribui um efeito afrodisíaco, que constitui o verdadeiro motor do crescimento demográfico e do desenvolvimento económico na Idade Média. Mérito dos Portugueses! 

Em Agosto de 1976, Cipolla pede da mesma forma à editora para imprimir um opúsculo em Inglês: “The Basic Laws of Human Stupidity”. Il Mulino faz uma centena de exemplares numerados e Cipolla oferece aos amigos. 

Nos meios académicos, e não só, estes dois opúsculos tornam-se célebres, e a editora pressiona Cipolla para os traduzir para Italiano, que ele recusa. Finalmente em 1987, Cipolla acede em traduzir os dois textos e reuni-los em “Alegro ma nom tropo”, livro lançado em 1988.

Quais são então, segundo Cipolla, as leis fundamentais da estupidez humana:

  1. "Primeira Lei Fundamental da Estupidez Humana: Cada um de nós subestima sempre e inevitavelmente o número de estúpidos em circulação.
  2. Segunda Lei Fundamental: A probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa mesma pessoa.
  3. Terceira Lei Fundamental (a regra de ouro): Uma pessoa estúpida é uma pessoa que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo.
  4. Quarta Lei Fundamental: As pessoas não estúpidas subestimam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos esquecem-se constantemente que em qualquer momento, lugar e situação, tratar e/ou associar-se com indivíduos estúpidos revela-se, infalivelmente, um erro que se paga muito caro.
  5. Quinta Lei Fundamental: A pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe. O corolário da lei é: O estúpido é mais perigoso que um bandido."

Cipolla na seu parêntesis técnico faz um gráfico e dividi-o em quatro quadrantes. A cada quadrante corresponde um tipo de pessoa. C para alguém que age como crédulo: pratica uma acção e sofre uma perda, ao mesmo tempo que proporciona uma vantagem a outrem. I para uma pessoa que obtém uma vantagem, proporcionando ao mesmo tempo  um ganho também a outrem. Age como inteligente e pertence ao quadrante I. Se fulano pratica uma acção da qual obtém uma vantagem causando um prejuízo a outrem, agiu como um bandido. Coloca-se no quadrante B. A  estupidez corresponde ao quadrante E e a todas as posições no eixo do Y abaixo do ponto O.

O facto de ser possível colocar no gráfico os indivíduos em lugar das suas acções, permite algumas divagações sobre a distribuição de frequências dos bandidos e dos estúpidos.

“Bandido perfeito é aquele que, com as suas acções, causa aos outros perdas equivalentes aos seus ganhos. O tipo de banditismo mais primitivo é o furto. Uma pessoa que lhe rouba 500 euros, sem lhe causar mais danos, é um bandido perfeito: você perde 500 euros, ele ganha 500 euros. Todavia, os bandidos perfeitos são relativamente pouco numerosos.” Os bandidos que proporcionam a si mesmos ganhos maiores do que as perdas que causam aos outros, são segundo Cipolla, desonestos com um elevado grau de inteligência, e são pouco numerosos. “A maior parte dos bandidos, infelizmente, são indivíduos cujas as acções lhes proporcionam vantagens inferiores aos prejuízos causados a outros. Se alguém lhe causa danos no automóvel, no valor de cerca de 1 000 euros para lhe roubar um rádio no valor de 150 euros, trata-se de um bandido estúpido.”

Aplicando as Leis de Cipolla, e quando penso em Ricardo Salgado, ultrapassada alguma hesitação inicial, coloco-o no sub-quadrante do bandidos estúpidos, já que provocou um dano maior a outrem, do que o ganho que obteve, e no final deixou-se apanhar pela polícia.   



El Estado Islámico arrasa las ruinas asirias de Namrud en Iraq

El Estado Islámico destruye la ciudad asiria de Nimrud

Leo con tristeza la noticia de que, una vez más, patrimonio histórico de la humanidad es destruido por radicalismo incomprensible.  Parece increíble que esta región fuera hace miles de años la cuna de nuestra civilización.  Pasé  horas contemplando los toros alados de Mesopotamia la primera vez que visité el British Museum y sentí una mezcla extraña de admiración por su infinita belleza y tristeza por verlos tan fuera de su entorno.  Hoy sin embargo me alegro de que estén ahí protegidos del oscurantismo mental en el que vive una parte de un pueblo. 

sexta-feira, 6 de março de 2015

Se pensa que o café é bom experimente o copo



Se o Double Down (foto) não era uma evidência suficiente que a Kentucky Fried Chicken (KFC) nos quer matar a todos alimentando-nos, agora vai tornar comestíveis as suas embalagens.

Pelo menos dão-nos algum descanso no final da refeição, já que não teremos que ir à procura de um caixote de lixo.

Esperemos que a KFC siga a tendência eco-friendly e fazer copos comestíveis, para nos encher ainda mais, até matarem todas as galinhas.

Os clientes dos restaurantes KFC em toda a Grã-Bretanha, em breve serão capazes de beber o seu café e comer o copo também. A KFC vai testar um copo comestível feito a partir de bolacha (Wafer) e forrada com um tipo de chocolate branco resistente ao calor. O novo copo vai começar a ser utilizado no início do Verão.

A nova embalagem aborda várias das tendências que infernizam hoje as empresas do sector alimentar, incluindo as preocupações dos consumidores sobre o impacto ambiental das embalagens, bem como o seu desejo de simplicidade.

As cadeias de cafés. iogurte, e fast food, estão buscando formas de reduzir a pegada de sua embalagem, usando cada vez mais materiais recicláveis.

A solução que vai ser usada pela KFC passa por um revestimento de chocolate que se derrete amolecendo a bolacha crocante, da mesma maneira que um biscoito amolece quando mergulhado no café. 

Partilhando esta novidade com um amigo meu ligado ao negócio das embalagens, ele não ficou surpreendido e disse-me que a solução era semelhante à da ginjinha servida num cup de chocolate. É evidente que o propósito da KFC é distinto, mas no final do dia, estávamos muito perto de descobrir a caninha do foguete: era só somar o ambiente, ao prazer da ginjinha com o licor e o chocolate.

quinta-feira, 5 de março de 2015

"The point of travel"



"O mundo é um livro, e aqueles que não viajam lêem apenas uma página. O que ninguém lhe diz é que o livro não é de fácil leitura. Se tem algo que eu possa dizer é que seja lá o que você está procurando, beleza, salvação, iluminação, perigo ou apenas desaparecer, isso será apenas uma fracção do que você irá encontrar. Eu estou apenas tratando de ler o livro inteiro". (Santo Agostinho)






quarta-feira, 4 de março de 2015

"Um fardo para os Portugueses"



Qualquer pessoa pode não ter as suas contribuições em dia, mas o Primeiro Ministro de Portugal, não é uma pessoa qualquer. Pelo cargo que ocupa deve dar o exemplo.

Sucede que para pagar os impostos ninguém precisa de ser notificado. Todo o cidadão sabe que tem um conjunto de direitos e obrigações, e pagar os impostos é uma das obrigações do cidadão. 

O actual Primeiro Ministro foi trabalhador independente, entre 1999 e 2004, e por essa razão, como fez questão de lembrar o Bloco de Esquerda, tinha de apresentar o modelo B da declaração de IRS e preencher o anexo H, onde se lia “contribuições obrigatórias para a Segurança Social”. 

Não se trata de um esquecimento. Pedro Passos Coelho em 1999 nunca pensou que viria a desempenhar o cargo actual. 

Por isso fez aquilo que muita gente fazia na altura, de acordo com um padrão comportamental das empresas e dos trabalhadores, que consistia, no caso trabalhadores por conta de outrem, em não declarar parte do salário e em que os trabalhadores independentes se “esqueciam” de pagar as contribuições para a Segurança Social.

Perante a notícia do “Público", o Primeiro Ministro inverteu os papeis, afirmando que a culpa era da Segurança Social que nunca o notificou, quando ele sabe que tinha que pagar as respectivas contribuições, conforme a declaração do IRS, que seguramente preencheu na altura.

Como é obvio, ninguém acredita que um trabalhador independente, durante cinco anos desconhecesse que tinha que fazer pagamentos à Segurança Social, e portanto o que esteve aqui em causa, foi de facto, uma prática reiterada e continuada de fuga ao pagamento das contribuições. Esta prática cessa no exacto momento em que se sabe que foi implementado um sistema de cruzamento de dados da Segurança Social com o Fisco. Fica-se então à espera que passe o prazo da prescrição para se safar do pagamento dessa dívida.

Quando um órgão da comunicação social suscita a questão, vai a correr fazer o pagamento, dando depois as explicações que nós todos ouvimos, e que evidentemente são as explicações de quem sabe que foi apanhado em falso.

Aqui não há nenhuma dúvida que um trabalhador independente tem que pagar contribuições à Segurança Social. Não é daquelas questões pouco líquidas, em que porventura há um entendimento da Segurança Social que é discutível ou há uma liquidação errónea que o contribuinte, seja um particular ou uma empresa, tem direito a contestar. 

É claro como água, e toda a gente sabe neste país, mais ainda, durante 60 meses, 5 anos consecutivos, que todo o trabalhador independente tem pagar contribuições à Segurança Social.

Recordo o artigo sexto do código civil, que diz muito claramente que a ignorância da lei não aproveita o cidadão nem isenta o autor do acto das respectivas responsabilidades.

Dito isto, não entendo a inacção da Segurança Social relativamente a este tipo de dívidas comparado com a celeridade com que a Segurança Social instaura execuções, aplica coimas e persegue implacavelmente pequenos contribuintes que falharam o pagamento de uma contribuição. 

É muito curioso que a Segurança Social tenha referido que foi efectuado voluntariamente um pagamento de uma dívida que estaria já prescrita, por ter decorrido o respectivo prazo de prescrição que passou dos 10 para os 5 anos. Mas com o argumento que agora é evocado de que na Segurança Social as dívidas nunca prescrevem, a não ser quando o contribuinte evoca a prescrição, e portanto enquanto o contribuinte não evocar expressamente a prescrição, a Segurança Social pode ir insistindo com o pagamento. O que não pode é instaurar procedimentos coercivos para a cobrança dessas contribuições.

Mas se assim é, resta explicar também porque é que foi liquidada uma quantia em 2015 em que os juros de mora correspondentes ao período entre 2012 e 2015 não foram contabilizados, e porque é que a Segurança Social se esqueceu, já agora, de aceitar o pagamento e também de reclamar o pagamento relativamente ao período anterior, em 2002, visto que há dívidas de 1999 a 2002.

Não sendo esta a questão mais importante, serve para salientar também que a Segurança Social, teve aqui uma responsabilidade a que não pode fugir.

“Bem prega frei Tomás, faz o que ele diz e não o que ele faz". Este é um ditado que nos diz muito sobre a moral, especialmente a moral que se prega para os outros mas que não se adopta para nós próprios. Vem isto a propósito do Público de hoje onde se cita uma intervenção de Pedro Passos Coelho no Congresso do PSD de 2014: “Há muitos que deviam pagar os seus impostos e não pagam. Porquê? Porque não declaram as suas actividades. Ora nós temos obrigação de corrigir estas injustiças. Não é o previlégio, mesmo o pequeno previlégio. Se há quem se ponha de fora das suas obrigações para com a sociedade, sendo muito ou pouco, esse alguém está a ser um ónus importante para os outros que têm um fardo maior”

terça-feira, 3 de março de 2015

Comutada a Sentença de Morte



A notícia foi dada em Janeiro, mas só hoje soube, que a Land Rover decidiu comutar a sentença de morte anunciada em Outubro de 2013 ao seu muito amado modelo Defender, e para o manter vivo, decidiu transferir a sua produção para a Ásia (India ou China).

Esta inversão é feita apenas um ano e uns meses após a firma Inglesa dos 4x4 ter informado que o original Defender - tendo atingido os 65 anos - estava na idade da reforma, e que a sua produção iria terminar em Dezembro daquele ano. Aquela revelação de Outubro de 2013, provocou um clamor junto dos fans - o favorito da Rainha e de muitos clientes da Grã Bretanha - que levou os patrões da Land Rover a repensar a sua decisão. Também o potencial de vendas desta robusta viatura em mercados emergentes da Ásia e África, pesaram nesta decisão   

Um porta-voz da empresa disse: "Land Rover is investigating the possibility of maintaining production of the current Defender at an overseas production facility, after the close of UK manufacturing. Any continuation would be low volume production maintained for sale outside the EU"

O primeiro desenho deste jeep foi feito numa praia (Red Wharf Bay) em Anglesey, no País de Gales, em 1947, pelo director de engenharia da Rover, Maurice Wilks, para mostrar ao seu irmão Spencer que era na altura o CEO da firma.

A sua produção foi iniciada em em abril de 1948, e a viatura apresentada no Salão de Amsterdão daquele ano.  Com a falta de aço que havia no período post guerra, o Land Rover foi inicialmente construído em alumínio, e o verde que o notabilizou teve origem na tinta fornecida por uma fábrica de aviões caça.

O primeiro modelo de pré-produção designado por "Huey" após obter a matrícula HUE 166, está em condições de funcionamento e em exposição no Heritage Motor Museum em Gaydon, Warwickshire.

Espantosamente, três quartos dos dois milhões de Defenders produzidos desde o seu lançamento têm ainda um uso regular.

A Land Rover acaba de lançar uma edição limitada "Heritage" inspirada nos Land Rover Série I. Cada um dos três modelos celebra um elemento diferente do carácter e da história Land Rover. A produção deste veículo de colecção, que combina as características do design original com o "conforto" moderno, é limitada.

Quem tem um, sabe que o conforto não é o seu forte, os acabamentos são muito assim, assim e os interiores não podiam ser mais espartanos, com uma ideia do indispensável que não se coaduna com os actuais padrões. Mas fora da estrada é imbatível. É talvez esta combinação entre a sua austeridade e capacidade de passar por todo lado, que o torna fascinante, não obstante em Portugal ser quase inacessível, já que os impostos que recaem sobre a tracção às quatro e as emissões o torna numa viatura de luxo.


segunda-feira, 2 de março de 2015

"Dear Warner Brothers"

Vivemos numa ditadura do humor. Todos têm que ter piada. Às vezes a coisa sai mal e há quem diga que foi uma piada de mau gosto. Ora aqui, só existe branco e preto. Ou se tem piada ou não.

Mas de acordo com a ditadura existente, mesmo quem é totalmente desprovido de sentido de humor, atreve-se a tentar fazer rir os outros, escolhendo na maioria dos casos a pior das circunstâncias. Fazer humor, ter piada não está ao alcance de todos, é por isso que esta ditadura tende a desaparecer. Não quero viver num mundo de sisudos, mas também já não tenho paciência para ouvir ou ler gente em esforço para ter sentido de humor. Este dom, se assim, se pode chamar, surge de forma natural e espontânea. Nem todos nascem com esta capacidade de fazer rir e rir, porque percebe o que é humor, mesmo que este se manifeste de forma subtil.

Tenho uma grande admiração pelos humoristas. Quando era muito jovem, vibrava com os irmãos Marx. Mais tarde, com os primeiros filmes de Woody Allen, pensei que humor tinha chegado ao seu vértice, mas ainda hoje hesito entre este génio e os Monty Phyton.

Estou a reler as cartas de Groucho Marx, e deixo-vos uma, dirigida ao departamento legal da Warner Brothers. Trata-se da resposta a uma contestação da Warner ao nome de um filme que os irmãos Marx estavam a preparar com o nome: “A night in Casablanca”. A Warner ameaçou em accionar legalmente os Marx, porque tinha cinco anos antes feito o filme Casablanca, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. 

O que se vai fazendo por aí, na área do cómico, fica a léguas do humor de Groucho. Em seu nome e dos irmãos escreveu a carta, que deixou os advogados da Warner baralhados, e que reza o seguinte:


Dear Warner Brothers:

Apparently there is more than one way of conquering a city and holding it as your own. For example, up to the time that we contemplated making this picture, I had no ideia that the city of Casablanca belonged exclusively to Warner Brothers. However, it was only a few days after our announcement appeared that we received your long, ominous legal document warning us not to use the name of Casablanca.

It seams that in 1471, Ferdinand Balboa Warner, your great-great-grandfather, while looking for a shortcut to the city of Burbank, had stumbled on the shores of Africa and, raising his alpenstock (which he later turned in for a hundred shares of the common), named it Casablanca.

I just don´t understand your attitude. Even if you plan on re-releasing your picture, I am sure that the average movie fan could learn in time to distinguish between Ingrid bargeman and Harpo, I don´t know whether I could, but I certainly would like to try.

You claim you own Casablanca and that no one else can use that name without your permission. What about “Warner Brothers”? Do you own that, too? You probably have the right to use the name Warner, but what about Brothers? Professionally, we are brothers long before you were. We were touring the sticks as The Marx Brothers when Vitaphone was still a gleam in the inventor’s eye, and even before us there had been other brothers-the Smith Brothers; the Brothers Karamazov; Dan Brothers, an outfielder with Detroit; and “Brother, Can You Spare a Dime?” (This was originally “Brothers, Can You Spare a Dime?” but this was spreading a dime pretty thin, so they threw out one brother gave all the money to the other one and whittled it down, “Brother, Can You Spare a Dime?”).

Now Jack, how about you? Do you maintain that yours is an original name? Well, it’s not. It was used long before you were born. Offhand, I can think of two Jacks- there was Jack of “Jack and the Beanstalk”, and Jack the Ripper, who cut quite a figure in his day.

As for you, Harry, you probably sign your checks, sure in the belief that you are the first Harry of all time and that all other Harrys are imposters. I can think of two Harrys that preceded you. There was Lighthouse Harry of Revolutionary fame and Harry Appelbaum who lived on the corner of 93rd Street and Lexington Avenue. Unfortunately, Appelbaum wasn’t too well know. The last I heard of him, he was selling neckties at Weber and Heilbroner.

Now about the Burbank studio. I believe this is what you brothers call your place. Old man Burbank is gone. Perhaps you remember him. He was a great man in a garden. His wife often said Luther had ten green thumbs. What a witty woman she must have been! Burbank was the wizard who crossed all those fruits and vegetables until he had the poor plants in such a confused and jittery condition that could never decide whether to enter the dinning room on the meat platter or the dessert dish.

This is pure conjecture, of course, but who knows-perhaps Burbank’s survivors aren’t too happy with the fact that a plant that grinds out pictures on a quota settled in their town, appropriated Burbank’s name and uses it as a front for their films. It is even possible that Burbank family is prouder of the potato produced by the old man than they are of the fact that from your studio emerged “Casablanca” or even “Gold Diggers of 1931.”

This all seems to add up to a pretty bitter tirade, but I assure you it’s not mean to. I love Warners. Some of my best friends are Warners Brothers. It is even possible that I am doing you an injustice and that you, yourselves, know nothing at all about this dog-in-the-Wanger attitude. It wouldn’t surprise me at all to discover that the heads of your legal department are unaware of this absurd dispute, for I am acquainted with many of them and they are fine fellows with curly black hair, double-breasted suits and a love of their fellow man that out-Saroyans Saroyan.

I have a hunch that this attempt to prevent us from using the title is the brainchild of some ferret-faced shyster, serving a brief apprenticeship in your legal department. I know the type well-hot out of law school, hungry for success and too ambitious to follow the natural laws of promotion. This bar sinister probably needled your attorneys, most of whom are fine fellows with curly black hair, double-breasted suits, etc., into attempting to enjoin us. Well, he won’t get away with it! We’ll fight him to the highest court!  No pasty-faced legal adventurer is going to cause bad blood between the Warners and the Marxes. We are all brothers under the skin and we’ll remain friends till the last reel of “A Night in Casablanca” goes tumbling over the spool.

Sincerely,

Groucho Marx

domingo, 1 de março de 2015

"Em Todas as Ruas te Encontro"

Quería dejaros esta poesía de vuestro Mario Cesariny que me parece especialmente bonita: el Tajo (o Tejo) le habla a su amada Lisboa.

Em Todas as Ruas te Encontro

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny, in "Pena Capital"